Você é escritor?

16 de dezembro de 2010

Anteontem eu estava me debatendo com questões sobre escrita e leitura quando a frase veio em minha mente: "Eu sou uma escritora?". Fiquei divagando mais um tempo, mas concluí que sim, eu sou escritora porque eu escrevo, porque eu uso a mente e coloco minhas ideias no papel (ou no Word, como preferirem).

Mais tarde fuçando pela internet achei o blog Aprendiz de Escritor, do Bruno Cobbi e vi esse texto interessantíssimo sobre o que é ser escritor, e que você tem o direito de se intitular assim se você se considera. Segue o belo artigo:

A escrita é uma das atividades mais poderosas ao alcance de todo ser humano. Uma palavra pode mudar o mundo, salvar uma vida ou iluminar o dia de alguém. Algumas palavras podem criar uma reação em cadeia de inspiração. Pode parecer piega, mas não importa como você encare isso, este assunto é real. Mesmo assim, não é incrível que encontremos algumas das pessoas capazes desse tipo de mágica que ainda estejam hesitantes em reivindicar o título de escritor para si mesmas?

Independente do degrau na escalada literária, é muito fácil encontrar quem não se julgue suficientemente importante para se qualificar como um verdadeiro escritor. Durante aqueles papos descontraídos, quando me perguntam o que eu faço e eu respondo “eu sou um escritor”, sempre surge um olhar de desaprovação, caridade ou espanto. Por mais estranho que pareça, ás vezes eu acabo ficando envergonhado. Nem sei se por mim ou pelo outro. Não sei se pelo fato de que eu querer ser um escritor, afinal existem outras ambições de carreira tão sublimes quanto essa: médico, advogado, padre, por exemplo. Entretanto, o primeiro parágrafo desse texto prova que, as vezes, o patamar de escritor está tão distante na minha mente que, de tão alto, parece algo inalcançável.
Com a caneta atrás da pulga
Conversando com outros amigos que escrevem — mas que titubeiam pra responder se são escritores ou não — batendo papo com a galera das oficinas literárias que participo, lendo e assistindo entrevistas e até mesmo fuçando pela internet, descobri que este sentimento é comum entre os escritores. É fácil encontrar pessoas se questionando isso. E encontrar mais gente na mesma situação não me conforta. Muito pelo contrário.

Entre os que escrevem, muito se discute sobre o que é preciso para nos tornarmos “escritores de verdade”. Para tornar-se um escritor basta sentar diante de um teclado ou empunhar uma caneta? Para tornar-se um escritor é preciso ter em mãos sua primeira sentença impressa por uma editora consagrada? Ser escritor é poder dar adeus ao trabalho cotidiano que tanto nos aborrece? Não haveria ninguém melhor do que um cara que é dono de um blog chamado Aprendiz de Escritor para responder, certo? Bom, então lá vai: se você está lendo isso, existem grandes chances de que possa se auto proclamar escritor, mas só você der a si mesmo a permissão para se sentir como um.
Então você é escritor ou não?
Você é escritor se nunca foi publicado? Você é escritor se tiver editado seu próprio livro? Você é escritor se tiver contrato com uma editora de pequeno porte? Você é escritor se apenas sua mãe e seus gatos lerem o que você escreve? Você é escritor se não obter sucesso comercial?

Em última análise, a resposta é simples: se você escreve, você é escritor. Fim da história. Você não tem que ganhar dinheiro com o que escreve, você não tem que inventar uma saga enorme, você não precisa ganhar o Pulitzer e não tem sequer que ser publicado. Tudo isso é apenas a cereja do bolo. E você nem precisa escrever bem (embora provavelmente vai acabar escrevendo assim se for um escritor dedicado). É como o criterioso Orson Scott Card diz no seu livro How to Write Science Fiction & Fantasy: “a vida de escritor é sempre um equilíbrio, independente do quão talentoso ou bem-sucedido você seja ou possa ser.”
Qual é o segredo então?
Os escritores precisam acreditar, simultaneamente, em duas coisas:

  1. A história na qual estou trabalhando agora é a maior obra já escrita.
  2. A história na qual estou trabalhando agora não passa de baboseira inútil.
Ambas afirmações são absolutas, portanto não dispute com nenhuma delas. Toda vez que você coloca os dedos sobre o teclado ou apanha uma caneta, você é um escritor. Grite isso para o mundo! Faça-os ouvir! É isso que você é. Iisso é algo digno , algo para se orgulhar, assim como certamente é algo que vai desafiá-lo a melhorar suas histórias, a si mesmo e ao seu mundo com cada palavra que escreve.
Segundo o Bruno ele fez uma tradução livre do texto da K.M Weiland, que possue o blog Wordplay ^^

E aí, depois de ler esse texto, você que escreve nem que seja só para seus gatos e sua mãe, se considera um escritor (a)?

2 comentários:

  1. É sempre um prazer trazer ânimo para os meus leitores! Seja sem pre bem vinda ao Aprendiz e mão na massa hein, Juli!

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  2. È um bom texto este, animador, mas creio que temos que ter cuidado com a aparente facilidade de ser um escritor nos tempos atuais, afinal, nunca se escreveu tanto e tão mal.

    Ainda assim ficam as dúvidas, qualquer um, desde que escreva é um escritor?
    Acredito que escrever seja mais que isso.
    Não é apenas empunhar papel e caneta (para os conservadores como eu) ou digitar por horas no Word.
    Ser escritor, para mim, ainda lembra os tempos nostálgicos das maquinas de escrever e das ocasiões passadas observando minuciosamente as coisas que acontecem ao nosso redor.
    As festas de família tão desinteressantes para os outros e tão interessantes para nós, a curiosidade, ainda que velada da vida alheia, da vida em si, o gosto por ouvir e contar histórias imaginárias ou não.
    O verdadeiro escritor tem um que de magia, de mistério, um escritor é perigoso, está sempre irremediavelmente atento, observa sempre, e tem este seu mundo autista, este seu mundo próprio onde tudo acontece ao mesmo tempo, onde os personagens se criam, amadurecem, onde ele amadurece junto, onde nossa vida acontece.
    A vida do escritor é sempre mais real ali, em seu mundo próprio, onde quer que este ali esteja.
    Escrever é apenas o resultado de uma vida dedicada ao projeto de escrever, é onde os momentos viram roteiro, involuntariamente.
    Ser escritor, alias, é mais, é tudo isso aliado a um talento extraordinário para ver beleza escondida.
    Escrever, não é ser escritor, embora muitos tentem, e almejem como eu este ofício - não carreira - de ser escritor.

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